quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Internacional

A carreira de Roth em um jogo: contra a fama de perdedor

Marcado por nunca ter conquistado um grande título, treinador tenta demonstrar tranquilidade diante da conquista da América



Celso Roth tenta ser o mesmo Celso Roth de sempre. Faz o possível para não se empolgar, para não exagerar na dose de expectativa em suas veias. Mas ele sabe que estará na área técnica do Beira-Rio na noite desta quarta-feira para o jogo mais importante da vida dele. Serão 90 minutos para definir se continua com a fama de ficar no quase ou se ele finalmente poderá comemorar um título de expressão. Se tudo der certo para o Inter, Roth será, no fim da noite, um treinador campeão da Libertadores da América.

Celso Roth no treino do InternacionalSão 13 anos em clubes grandes, e Roth pode ser campeão da América (Foto: Lucas Uebel / VIPCOMM)

São 13 anos como treinador de clube grande. A primeira chance foi justamente no Inter, em 1997. E tudo que ele tem são conquistas regionais, apesar de trabalhos sólidos, como no Grêmio de 2008.

- Eu fui um treinador precoce. Com menos de 40 anos, fui campeão gaúcho com Internacional e Grêmio. Quando isso acontece, fica um tempo sem ganhar títulos, como vocês dizem, de expressão. Se for este o momento, que seja. Se não for, vou tocar minha vida. Quando for para acontecer, será o momento certo. Tomara que seja agora – disse o treinador.

Roth é um sujeito obcecado pelo trabalho. Gosta de treinar em dois turnos, às vezes até o cair da tarde. Ele vê na disciplina o segredo das conquistas que ainda não vieram, mas podem aparecer agora. E deixa implícita uma mágoa por ver colegas menos batalhadores do que ele terem títulos que ele não tem.

- Um profissional não pode falar de outro profissional. É antiético. Mas vocês, que acompanham, têm que opinar. São pagos para isso. Têm que fazer a comparação. É o trabalho. O segredo, a situação, é chegar num grupo, colocar uma metodologia, encaixar, fazer as coisas andarem do jeito que a gente quer – comentou o treinador.

Celso Roth promete manter a rotina nesta quarta-feira. Claro, deve estar com o coração na boca, mas ele mesmo diz que não pretende mostrar os sentimentos com os quais lida no dia da grande final. A ideia é não mudar para, no fim, receber o reconhecimento pelo título.

- Se dá certo, o técnico é o gênio. Se não dá certo, é maluco – resumiu Roth.

O Inter recebe o Chivas às 22h no Beira-Rio. Como venceu o primeiro jogo, no México, por 2 a 1, basta um empate para o Colorado ser bicampeão da América.

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